
Capotas são tiradas dos veículos para facilitar as fotos dos turistas
A Copa do Mundo se aproxima, e não são poucas as ofertas para quem quer viver as emoções das savanas africanas. Há muitos parques, reservas naturais e mais de 500 hotéis espalhados pela África do Sul. Game drives são oferecidos por diversos hotéis de selva para até seis passageiros em veículos 4x4 abertos. Esses passeios contam com os rangers, motoristas treinados para resgate, e os trackers, que vão sentados em uma cadeirinha sobre o capô para identificar rastros de animais e indicar os caminhos para chegar a eles.
Para que todos possam registrar seus momentos únicos sem intimidar os bichos, só três veículos por vez, em rodízio, podem parar para a observação. Em algumas reservas, os rangers se comunicam via rádio ao avistar certos animais, como os cobiçados Big Five. O termo é uma espécie de mito, com origem na caça, sobre os cinco animais mais difíceis de serem vistos ou fotografados: búfalo, elefante, leão, leopardo e rinoceronte. Um game perfeito é aquele em que se pode avistar todos.

Rangers e trackers localizam os animais e garantem a segurança
No estilo do Zôo Safári, antigo Simba Safári de São Paulo, é possível visitar com o próprio carro grandes reservas do continente africano, caso do Kruger National Park, com mais de 350 km de extensão. As regras são simples: não se pode sair da estrada, nem de dentro do veículo. Acrescentamos mais uma: não esquecer de travar as portas, para evitar o susto que a família do Toyota das fotos desta página levou, no fim de novembro, no Safári Park de Joanesburgo. Felino esperto, o leão chegou de mansinho e abriu a porta de trás do Yaris sedã. “O carro ficou parado enquanto seus ocupantes absorviam o choque do que estava acontecendo. Somente após alguns segundos é que o motorista acelerou e fugiu. O animal ainda correu tentando alcançá-los”, conta o engenheiro Richard Holden, de 32 anos, que fez as fotos.

O sotaque não é só britânico
Glen Gamper, gerente de operações da Ambiental Expedições, carrega alguns safáris na bagagem. Ele conta que em locais como o Quênia e a Tanzânia, vans com teto retrátil permitem aos turistas tirar fotos. Gamper diz também que há um ou outro modelo da Toyota, como os Land Cruiser, mas que os Land Rovers predominam nos territórios selvagens. “Além de estrutura para jogar uma lona por cima, alguns veículos oferecem três assentos em forma de estádio. Os responsáveis pelos veículos me disseram que a suspensão é reforçada para suportar o peso dos turistas”, diz.
Responsável por organizar safáris para a Namíbia e África do Sul desde 2004, o instrutor de fora-de-estrada e guia João Roberto Gaioto diz que o carro ideal para as savanas tem de ser robusto. Além disso, precisa levar ao menos quatro passageiros, ter dois estepes, tração 4x4 e reduzida, tanque de combustível sobressalente e boa autonomia; afinal, pode-se rodar até 300 km sem avistar um posto de combustível. Segundo o empresário, “a cada 100 km você se depara com um Land Rover, no mínimo”. Mas outra realidade habita entre os animais do continente: os modelos japoneses das marcas Nissan, Toyota e Mitsubishi. “Sem falar nos alemães, que prometem debutar por lá, em breve, com a nova Amarok”, diz.

Civilização: máquinas fotográficas no lugar de armas
Lesley Sutton, gerente de comunicação da Jaguar/Land Rover na África do Sul, conta que nenhuma mudança mecânica é feita nos carros da marca, geralmente modelos Defender 110 ou 130, que rodam entre elefantes, girafas e rinocerontes. Eles “apenas” removem os tetos das cabines e fazem outras adaptações em assentos e cintos de segurança. “Os veículos são feitos na Inglaterra, mas recebem todas as conversões necessárias na África do Sul”, diz. Para ter uma ideia, um Defender 130, já preparado para os games, custa pouco mais de 480 mil rands, algo em torno de R$ 116 mil. Lesley conta ainda que seus únicos concorrentes são os Land Cruiser, da Toyota, mas que somente os automóveis que ela representa são homologados para trafegar também pelas vias públicas da África do Sul.

O leão já havia almoçado, mas quis conferir o que havia no carro

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