sexta-feira, 22 de outubro de 2010

SP terá a primeira escola técnica voltada para esportes

Complexo do Centro Paula Souza será construído na Zona Norte da capital.
Obra vai entrar na fase de licitação e previsão de término é 2012.

Terreno onde será erguida a Etec de esportes fica na Marginal Tietê.

O estado de São Paulo terá a primeira Escola Técnica Estadual (Etec) voltada aos esportes e ela será construída na Vila Maria, Zona Norte da capital. O complexo será de responsabilidade do Centro Paula Souza e vai formar técnicos em esportes e atividades físicas. Os futuros monitores poderão atuar em projetos esportivos, em parques ou em escolas e até ajudar nas ações durante a Copa do Mundo de 2014 no país.

Nesta sexta-feira (22), o governador Alberto Goldman visita o terreno, que fica à beira da Marginal Tietê e onde havia uma favela removida no ano passado. O arquiteto Ruy Ohtake, responsável pelo projeto arquitetônico, também deve ir. “Faltava essa demanda e essa escola abre um bom campo de trabalho para a juventude. Imagino que para a Copa vamos estimular a formação esportiva”, diz Laura Laganá, diretora-superintendente do Centro Paula Souza.

O projeto, que tem parceria com a Fundação Gol de Letra, ainda está em sua fase inicial. Laura informa que o edital para a construção da escola e do complexo de quadras será lançado no mês que vem e as obras só devem estar concluídas em 2012. De acordo com ela, o orçamento é de R$ 34 milhões e a verba virá do governo. Os cerca de 360 alunos, com idade, em média, de 16 anos, estudarão gratuitamente no curso com duração de um ano e meio. O pré-requisito é estar no 2º ou 3º ano do ensino médio.

“O técnico de esportes e recreação é um auxiliar do professor de educação física. Não vai concorrer com ele”, ressalta Laura. O Centro Paula Souza é vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento e tem, ao todo, 86 cursos nas mais diversas áreas: artes, ciências exatas e até moda.

Centro de convivência

No terreno cedido pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), além da escola para as aulas teóricas, Ruy Ohtake projetou um centro de convivência com quadra poliesportiva, arquibancada, lanchonete, vestiários e outros ambientes.

A céu aberto, a ideia é ter cinco quadras para prática de esportes como vôlei de areia, basquete e tênis; dois campos para futebol society, pista de atletismo e até instalações para esportes radicais. O arquiteto foi um dos apoiadores do projeto. “Por que não aproveitar a experiência didática do Centro Paula Souza e criar um curso profissionalizante nessa área?”, questiona Ohtake.

Segundo ele, as quadras, que devem estar à disposição dos moradores da Vila Maria e região, “funcionarão como laboratório” para os estudantes. “É um conceito novo. Vai abrir um mercado de trabalho.”

Na mesma área, será instalada uma base da Polícia Militar. O coronel Marco Antonio Augusto, chefe da comunicação Social da PM explica que entre 90 e 120 policiais da 1ª. Companhia do 5º. Batalhão farão o policiamento na região. No entanto, ele ressalta que eles não atuarão somente no complexo esportivo. “Essa companhia já fica em um prédio alugado ali perto. Ela só vai ser transferida.” O imóvel para a polícia é mais um que está na planta elaborada por Ruy Ohtake. “Vão fazer uma coisa bem futurista”, adianta o coronel.

Sem barraco

Em nota, a CDHU informa que 1.611 famílias da favela Chácara Bela Vista foram removidas dali em dezembro do ano passado. Desse total, a companhia diz que 320 optaram por unidades de conjuntos habitacionais do governo localizadas na Zona Leste e na Grande São Paulo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Vegetação irregular imita a natureza e dá vida a projeto em propriedade de 1.500 m²

Um ângulo de 360 graus de volumes e texturas verdes – que permitem efeitos visuais a cada instante e controle do microclima – marca o projeto paisagístico da arquiteta Christiane Ribeiro e do engenheiro agrônomo Rodolfo Geiser para uma residência em Tamboré, bairro nobre de Barueri, município do interior paulista, a 30 km de São Paulo.


“O nosso principal objetivo foi criar espaços verdes, indispensáveis para o bem-estar das pessoas, e, ao mesmo tempo, utilizar a vegetação de maneira irregular, como acontece na natureza”, explica a arquiteta Christiane Ribeiro. Para complementar essa proposta, foram escolhidos outros elementos para compor os espaços do jardim, como caminhos de dormentes de madeira, pérgulas e pisos diferenciados.

O paisagismo dessa residência contemplou toda área externa da propriedade de 1.500 m², onde foram projetados gazebo, deck, piscina com cascata, caminhos charmosos, pisos diferentes, iluminação, bancos, espelho d’água, pérgula e claro, árvores e vegetação exuberante e com perfume. “Por isso, não poderia faltar o cheiro marcante das damas-da-noite e a suavidade do jasmim”, diz Geiser.

A pedido dos proprietários foi instalado ainda um espelho d’água, projetado na entrada principal da casa, ao lado da pérgula que tem cobertura em vidro. “Neste local, buscamos um efeito bastante natural, utilizando espécies que se harmonizam com a água, como papiro, mini-ixora, ninféia-vermelha, falso-íris-roxo e algumas pedras como cacos de arenito amarelo e seixos”, conta o agrônomo.
Imitando a natureza

O desenho e o local da piscina buscaram dar a ideia de um lago no jardim, quando o ângulo de visão é o interior da residência. “Por isso ela tem forma orgânica e a borda infinita”, diz Christiane, enfatizando a semelhança com a versão natural de um lago. Toda revestida com pastilhas de vidro, a piscina é ladeada por um grande deck em madeira e o clássico piso de pedra são tomé branca. A cascata foi idealizada com um pequeno morro para dar a impressão que a água nasce dele, vindo das partes mais altas. “Nesse ponto, projetamos uma mureta com forma ligeiramente curva. Atrás dela fizemos um passeio estreito com arbustos que compõem uma cerca viva, já que nesta linha estamos praticamente na divisa do terreno”, conta a arquiteta. A água que cai da cascata, surgindo do morrote projetado, cai em num pequeno “lago” com 40 cm de profundidade – que é utilizado como piscina infantil – para depois chegar à piscina.
Como uma pintura

Esse paisagismo foi pensado e executado de maneira que o resultado criasse uma paisagem integrando plantas, piscina e elementos arquitetônicos, como a mureta de pedras, o piso e deck. “A proposta foi desenvolver uma paisagem mesmo, como se fosse um quadro, que pudesse ser visto de diversos pontos do interior da casa, e, logicamente, por quem passeia pelo jardim”, diz Geiser.

Tudo é muito natural nesse projeto. “Buscamos dar a ideia de um passeio agradável, rodeado por plantas, como no acesso ao lago com peixes, no passeio por trás da cascata e no sinuoso acesso da entrada principal, que integra o jardim e a casa”, conta Christiane.

A fachada da residência, que tem projeto arquitetônico de Hochheimer Imperatori Arquitetos, enfatiza certa privacidade na entrada principal e lateral. Para não esconder completamente a frente da casa, foi projetado um maciço de resedá-amarelo (Galphimia brasiliensis), moréia-bicolor (Dietes bicolor), flor de mel (Buddleia variabilis) e jasmim-do-imperador (Osmanthus fragrans) junto à calçada. Rente a casa, algumas azaleias e leia-rubra (Leea rubra), e forrações baixas como agapanto (Agapanthus umbelatus). No mais, um gramado impecável. “Como se trata de um jardim razoavelmente elaborado, requer certa manutenção, embora não seja extremamente custosa e complexa”, finaliza